
MINHAS PEGADAS...
Diante do olhar distante
Uma cachoeira se faz na face
Numa madeixa transparente
Diante do olhar
O caminho serpenteando
Leva nosso passo andando
Com o toque tão do encanto
Nas caldas entre pedras
Batendo e se somando
Correndo em curvas sonoras
Subindo
Descendo
Tocando paisagem com o vento
Formando trilhos
Cruzadas
Atalhos
Remendo das vidas...
Diante da estrada
A mente vai sozinha
Entre multidão imaginável
No conforto do animal e do vegetal...
Vendo casas simples
Entre matas e clareira
Nos cheiros dos matos...
No cheiro dos matos
Nos gostos matutos...
Sobre o olhar da cachoeira
Da lua cheia e extasiante
Na silhueta sem eira...
Andando com os pés no chão
Perfazendo quilômetros
Atravessando ponte na solidão
Sobre o olhar discreto das aves
Nos seus cantos de longe suaves
Conforta o andarilho pedante...
Vendo marcos da escravidão
Fazenda
Moinhos
Engenhos
Bagaços de cana...
Pedaços da vida...
No cheiro da pinga
Descendo alambique
Feito cachoeira carente...
Apontando uma escola vazia
Tão cheia de sonho
Somente...
Vejo a ideia da hipocrisia
Ruína concreta
E de fantasia...
Seguindo caminho
Passo de pássaro
Instante caído
Ruído na mata
Doida no espírito...
Vejo diante uma cachoeira
Perdida no verso da eira
Com a queda da madeixa transparente
Na mente do parente
Do tão ente
Tão ausente
Na mente...
Wesley Charles
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