Toda filosofia é poesia vinda da alma, além da razão na busca única do Amor Maior

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O GOSTO DE EVA



 O GOSTO DE EVA
                            
 
Beijar tua boca com gosto de rosa
Tão vermelha e gostosa
Tão sensual e poderosa
 
O gosto da maçã ainda na boca
Lembra-me da rosa sem roupa
Do meu olhar despido na oca...
 
Beijar tua boca com gosto de rosa
Sem espinho e tão perigosa
Tão vermelha e venenosa...
 
O gosto da Eva sem Adão
Faz a humanidade num pendão...
No caminho intenso da comoção...
 
Beijar tua boca com gosto de rosa
Tão amiga e amante formosa
Tão sensual e mulher carinhosa
 
O gosto de Eva no cheiro de Adão
Ferve na humana compaixão
Num tom amoroso do coração...
 
Oscular tua boca com gosto de rosa
Nos versos das Marias e das Rosas
Com tanto Amor sem pecado das flores
 
Com os espinhos
E pétalas das rosas...
                                Wesley Charles

BLOGAR AMOR...




BLOGAR AMOR...
          
 
 
Que mulher é essa
Que acredita no amor
Com tanto louvor?...
 
Que mulher é essa
Que só bloga
Para espalhar o amor?
 
Essa mulher misteriosa!...
Essa mulher egípcia!...
 
Que mulher é essa
Que só pinta o amor
Com tanto primor?
 
Essa mulher artista
Na soma da tinta...
 
Que mulher é essa
Que se mostra na pintura
Com tanta doçura?...
 
Essa mulher é você
No quadro da vida
No modo Picasso...
                      Wesley Charles

segunda-feira, 27 de junho de 2011

FEITO SONHO...

FEITO SONHO...
                        Wesliane Damasceno 
 
 
Feito sonho real e incerto
Sonhei que andava no deserto
Sobre o teu olhar na hora incerta...
 
Pelo passo na areia tão certa
Num vulto encanto das pirâmides
Nas vozes nítidas egípcias...
 
Que se tocavam alegres magias
Que se alegravam nas Marias...
Em tons e nuanças das romarias...
 
Feito mistérios que desfaziam
Nos silêncios que gritariam
Sobre os olhares das Marias
Nus versos egípcios...
 
Abrigando ternuras mentes
Em dons espiritualmente
Em dons espiritualmente
Das Marias nas tintas egípcias...

sábado, 25 de junho de 2011

FLOR SEM IDADE

FLOR SEM IDADE
                          
 
Sou uma flor sem idade
Que não tem cheiro nenhum
Que não deixa saudade
 
Sou uma flor sem idade
Que só sente saudade
Sem nenhuma cor...
 
Uma flor nostálgica
Fora da dor
Sem nenhuma mágica...
 
Sou uma flor sem idade
Com pétalas que não envelhecem
Mas não sustenta humanidade...
 
Sou uma flor na tua pintura
Na loucura sem idade
No olhar da desformosura... 
 
Uma flor se desfazendo na poesia
Uma flor que provoca mentira
Arrancando-a da fantasia...
 
Sou uma flor sem idade nenhuma
Que não faz nenhum mau
Que se pinta sem dia...
 
Uma flor sem pintura que se pinta
Sem poesia que se rende em versos
Na face da despedida...
 
Sou uma flor sem idade
Gastado pela sobra da tinta
Perdida pela cidade...
 
Uma flor sem idade
Sem idade
Idade...
Arde sem saudade...
  Wesley Charles 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

INSCRITO...


INSCRITO...
                 Wesley Charles de Alencar Reis
 
Na nossa pegada está inscrito
Um mendigo
Um homem
Um Cristo...
 
Na nossa pegada está inscrito
Um desabrigo
Um cão ferido
Um doido amigo
 
Inscrito um mendigo
Inscrito um império
Inscrito o que digo...
 
Está inscrito na nossalma
Feito carne
Feito vida
Feito aço sensível
 
No nosso espírito está inscrito
Um abandono
Um encontro
Um retorno...
 
Inscrito uma vida
Inscrito uma morte
Inscrito a devida...
 
Está inscrito o ignorado
Feito cegueira
Feito verdade preciosa
Feito espinho sem flor...
 
Está inscrito
A nossa alma espírito
O nosso mendigo no mito
 
Inscrito o mendigo
Inscrito o bem perdido
Inscrito o ANJO que digo...
 

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O AMOR CONCRETO


O AMOR CONCRETO
                                                                                
Wesley Charles de Alencar Reis
 
      Um dia um mestre parou num lugar onde se podia ver toda a humanidade na 
coleção sublime de sua plenitude. Então, olhou-se para si e perguntou ao 
discípulo que se internalizava dentro dele:
     _ O que é o Amor?
     _ O Amor não precisa de resposta, de nenhuma explicação!... Ele precisa só 
do OLHAR; não do olhar que se olhar, mas do OLHAR DA PRÁTICA... 

     _ Não é o OLHAR DA MENTE, mestre?
     _ Todo corpo precisa da prática... Como pintar o QUADRO DA VIDA sem nenhuma 
composição? Assim a mente é um lugar abstrato bem pequeno que se ocupa de toda 
imensidão... Todavia sem prática oscilante, sem reflexão; ela se enche de vazio, 
desapropriando-se de si mesma...
      Então o discípulo, insaciável e cheio de dúvida, lança uma pergunta 
felina:
     _ Quem inventou o Amor?
     _ O Amor não é uma invenção... O Amor é Deus... Ele enviou o Filho como 
dádiva e símbolo do Amor... O Filho está no Pai... O pai está no Filho... És a 
grande revelação do Amor!...
     _ Mas mestre, se Deus é Amor, como Ele se fez?
     _ O nosso Pai se fez do nada e do tudo... Ele é o invento Dele mesmo... Ele 
é a Prática do Amor... Há resposta que cabe só a Ele... Todavia ele deu o homem 
a sua própria Semelhança...
      O mestre olhou fixamente para o discípulo e falou:
     _ Olhe para tudo isso aqui... Depois feche os olhos e procura esquecer de 
tudo. Vou te fazer uma única pergunta e desejo uma resposta sincera:
     _ Você esqueceu de tudo realmente?
     _ Não, não esqueci... Não consigo apagar da mente!...
     _ Tudo isso é o Amor... O Amor dorme... O Amor adormece... O Amor renova... 
O Amor sempre permanece... O Autor morre e o Amor transcende...
      O discípulo então questionou veemente:
     _ De onde provem todo esse conhecimento?
     _ Da Universidade de Deus. Ela traz um único conhecimento...
     _ O conhecimento do Amor!... Exclamou emocionado o discípulo.
     _ Não, claro discípulo... É o conhecimento da Sensibilidade que não se 
aprende nas universidades dos homens... Talvez possa ser por isso que o Filho de 
Deus foi tão e é renegado pelos homens da ciência...
     _ Mas mestre, e o Amor?
     _ O Amor é o Reconhecimento da Sensibilidade... É o Autorreconhecimento do 
Reconhecimento da Sensibilidade... Sem Ele, as outras essências se perdem em 
sentido e significado...
      O mestre então interrompeu o discípulo e falou:
     _ Vamos olhar tudo isso aqui e você vai ver o Amor se concretizando em cada 
reflexão contemplada pela totalidade dessa paisagem que não esconde nada, que 
não renega nada... Apenas nós renegamos o essencial que já se encontra em nós...
      Então o mestre acalmou o discípulo inquieto no interior de si mesmo e foi 
passando nos lugares onde as fontes de sensibilidade eram intensas, aprendendo 
com os pequenos, com os abandonos, as desventuras, as rebeldias dos transeuntes 
enamorados...  
 
      O AMOR É CONCRETO: só não vê que não quer ver... Só não sente quem não 
quer sentir... Todavia não é algo inacabado, mas uma Construção Infinita na rede 
da Sensibilidade Amiga...
 

terça-feira, 21 de junho de 2011

ANJO DELIRANTE...



    Wesley Charles de Alencar Reis
 
                              
 

Olhe meu anjo em delírio
Sem nenhuma flor do campo
Nem a visão do lírio...
Tocada no hino do sonho...
 
Olhe meu anjo delirante
Tão na boemia errante
Tão no falar das beatas
Nas orações das jogatinas
 
Olhe meu anjo delirante
Declamando poesia
Expulsando santos do dia
Como um menino em rebeldia...
 
Olhe meu anjo delirante
Escondido na sua hipocrisia
Celebrado na sua eucaristia
No seu bem se vazia...
 
Olhe meu anjo delirante
Sem nenhuma fantasia
Nem certeza que se fazia
No teu olhar de rima e pia...
 
Olhe meu anjo delirante
No relento da sua cortina
Na ciência da sua menina
Na verdade que em si empina...
 
Olhe meu anjo delirante
Na loucura endiabrada da poesia
Na pintura de Maria Louca nostalgia
No resto de tinta de Paula, alegoria...
 
Olhe meu anjo delirante
Sonhando na canção de Fabrini
Delirando na rima do berrante
Caminhando no verso errante
Tocando na emoção...
  
Olhe meu anjo delirante
Em delírios
Em suplícios
E louvores do coração...

O SONHO DA VELHA ÁRVORE...



O SONHO DA VELHA ÁRVORE...
Wesley Charles de Alencar Reis
 
      O machado foi aposentado... Na mão e no punho do lenhador está sustentada 
uma serra elétrica... O ar de ganhar mais espalha para todos os cantos. Para as 
fábricas... Para as serrarias... Para as lojas... Para as construções... Para as 
carvoeiras... Para as chamas inteiras... Para as...
      Todavia algo de estranho ocorria naquele momento... O ato do corte da 
serra elétrica causava ressentimento em cada árvore cortada. Pelo corte 
promovido pelo aço elétrico escorria um líquido da cor do sangue humano. As 
árvores gemiam de dores, gritavam, choravam incessantemente... Mas o lenhador 
não percebia nada daquilo... Não via o rio de tristeza que se escorria naquele 
instante...
      Um dia ele avistou uma velha árvore próxima do seu olhar. Então começou a 
andar em direção dela. Entretanto nada de aproximar. Ele ficou assustado com 
aquilo, pois estava perto, andando em direção; porém não conseguia achegar...
      No entanto, depois de algumas horas, a serra elétrica se põe a cantar 
ruidosamente e o lenhador, apreensivo, percebe o falar da velha árvore:
     _ Meu jovem lenhador, aumente mais a distância da humanidade daqui!... Eu 
não me importo como se importaram, sofreram, gemeram, gritaram e choraram as 
minhas jovens amigas árvores!... 

     _ Mas eu não vi nada disso!... Exclamou o lenhador admirado e assustado ao 
mesmo tempo.
      De repente o homem, não tão jovem assim, percebe que aquilo era um sonho 
tirado debaixo da copa de uma árvore. Ele sente confuso, pois pressente uma 
velha árvore deitada no chão... Começa a chorar vendo infinidades de árvores 
repousando naquele imenso solo e parecia que as florestas iam-se sumindo pelas 
percepções do teu olhar, vagando-se na paisagem despida...
      Em casa ele observe o lindo desenho da sua menina. Cada desenho 
simbolizava a magia de uma iluminada árvore pelo sol ofuscante... Ele então 
exclamou:
     _ Que lindo, minha filha! Como você aprendeu desenhar tão bem assim?
     _ Foi com o senhor, papai! Você lembra que eu ficava observando o senhor 
derrubando as árvores?
     _ Sim, minha amada filha!
     _ Pois é!... Naquele momento eu ficava tentando colocá-las de pé.
      O homem então chorou novamente. Sua filha o consolou e lhe deu um belo 
desenho que se pintava de mudinhas e sementes de árvores. Só então ele entendeu 
os ensinamentos da velha árvore e a dádiva que nem sempre vem de mãos prováveis, 
mas singelamente de uma tão pequenininha...


ANJOS VAGOS
                        Wesley Charles de Alencar Reis

Anjos em nós lidos vagos
Nas nossas vitrines lagos
Perdidos nos vales pagos

Anjos ainda meninos sem atos
Armados nas faces dos retratos
No julgo dos adultos vagos...

São Anjos
São meninos Abandonados
Nas atrocidades dos morros
Nos inconscientes becos
Tiros...
Assaltos...

Anjos em nós carentes
Fazendo-se demônios presentes
Nos sistemas tão ausentes...

Sistemáticos anjos vagos
Sistemáticos Sistemas vagos
Sistemáticos Sociais vagos
Sistemáticos Valores vagos

Anjos vagos
Anjos capitais roubados
Anjos nos sinos repicados
Em dores esquecidas
Nas mágoas escorridas...

Anjos vagos
Anjos não amados
Anjos nas sinas das sinas
Já não ensinam... Vacilam

Anjos vagos
Anjos vagos
Nas fisionomias do Retrato...

CMD 21/06/2011
ANJO MEU...
                    Wesley Charles de Alencar Reis


Dizem que meu anjo não é ILUMINISTA
Dizem que meu anjo não é RENASCENTISTA
Dizem...

Que ele não tem o rosto limpo
Que ele não é Olímpio...

Dizem que meu anjo não é BONITO
Dizem que meu anjo não é BENTO
Dizem...

Que ele não tem madeixas onduladas...
Que ele não tem auréolas iluminadas...

Dizem que meu anjo não é SAGRADO
Dizem que meu anjo não é ABENÇOADO...
Dizem...

Que ele não é mensageiro
Que ele não passa de passageiro...

Dizem tanto que já não importa
Do meu anjo...
Ele tem a cara feia
Coberto de pelo e ruga...

Dizem tanto que já não importa
Do meu anjo...

Ele é cheio de pena
Parece um pavão apenas...

Dizem tanto que já não importa
Do meu anjo...

Ele é todo sem jeito
Parece desfeito...

Dizem tanto que já não importa
Do meu anjo...

Ele é todo sem asa branca
Ele é todo cabeludo sem eira...
Dizem tanto que não importa
Do meu anjo pequeno...

Ele é todo rejeitado pelo mundo
Ele é na aparência tão nulo...

Meu anjo
Meu guia
Diviniza-me sem CORTINA...

sábado, 18 de junho de 2011

DU – VIDAS

DU – VIDAS
                                                                        
 
      Era uma vez... Parece um encontro de fadas.
      Neste momento estava no quarto ou no quintal com os meus livros na estante 
ou flutuando. Com as asas da borboleta. Com os grilos nas folhas secas. Com o 
colibri que sentimentaliza o ósculo na minha face menina (flores sensíveis).
      As coisas andam congestionadas aqui. Não resolvi a equação decimal de 
Deus, onde persistem as dúvidas...
      Na primeira lauda avistei uma pequena cidadela, modesta e simples, com 
número reduzido de gente, com as casas feitas de sonhos e fantasias, flutuantes. 
Tudo era diferente dos nossos olhos e das nossas indiferenças. Era uma cidadela.
      Neste instante, passo por uma porta, fecho a outra e me pego num enorme 
túnel com meia luz. A paisagem se reduz, deduz um estranho, mediante o olhar 
negro, vasto. Dou por mim na cidadela. Meu corpo, minha emoção pertencia à 
paisagem. Tudo e todos os sentimentos ligados.
      Ora!... Senti um mistério no ar. Algo deste que incomoda muita gente. A 
novidade era o vendedor de frutas naquele lugar diferente... A curiosidade 
aumenta, a fofoca torna-se notícia. Ninguém sabia daquele sujeito e nem do modo 
diferente de vender frutas.
      A tarde chegou num relâmpago, quando alguém se aproximou dele e comprou 
uma fruta. Comeu-a. Deliciou-se. Entrou naquela tenda e saiu... Depois disso, 
mais nada.
      No dia seguinte, logo pela manhã, ali passou mais um. À tarde, outro. À 
noite, fechou-se o expediente. Comeram-nas... Deliciaram-se... Entraram na 
cabana... Saíram...
      Deste modo, cada dia aquilo acontecia, até que quase todo mundo ali já 
tinha passado. Comeu-a... Deliciou-se... Entrou na cabana e saiu...
      Reparei tudo aquilo e mesmo assim não via nada de diferente. Uma voz batia 
lá no fundo. Comeu-a... Deliciou-se... Entrou na tenda... Saiu... Ainda não 
tinha passado ali. Cada vez mais a coisa era sem sabor. Era um ponto final 
inexplicável. Uma reticência colocada no caminho...
      Hoje li algo de diferente. Estava com meus olhos vendados. Ressenti-me ao 
tocar na duplicidade da vida. Faltava-me algo. Bebi um copo de água 
transparente. Naufraguei-me no oceano das lágrimas, em meu âmago feminino...
      Ali estava o vendedor. Apenas uma fruta no cesto e a cabana no mesmo 
lugar. Creio que aquela fruta era para mim, mas algo dizia que era para ele. 
 
      Estou naquela casa pacata, com insônia. Era a casa que não conseguia pegar 
no sono. Resolvi sair um pouco. Passei por alguns lugares. Uma força me puxa 
para aquele local, onde se encontrava o vendedor, o cesto com apenas uma fruta e 
com a cabana armada. Aproximei-me dele. Admirei-o... Antes de qualquer fala, ele 
pegou a fruta e me ofereceu, sensivelmente, sem voz... A atmosfera encheu-se de 
gestos divinos. Aceitei a oferta e o agrado. Logo em seguida: comi-a, 
deliciei-me, entrei na cabana e sai...
      O interessante foi... Quando estava ali, faltava um segundo para a meia 
noite. Bem lá nos confins do meu íntimo, um ser me fazia sentir que aquela era 
minha hora. Pude entender. A essência fluía naturalmente e uma voz se instalou 
em nosso silêncio. Pelo menos alguns segundos, alguns minutos, algumas horas 
alguém foi feliz, amou de verdade...
      A felicidade se fez apenas num único corpo, numa única emoção e se fez 
morada para esta paisagem.
      Era uma vez... Era um vendedor de frutas... Era um cesto... Era uma 
fruta... Era uma cabana...
Wesley Charles

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nossos EUS...


 
                         Wesley Charles de Alencar Reis
 
 
Armamos sonhos
Folguedos ninhos
Paramos nas luas
Sem nos dar com os dias
 
Escalamos fantasias
Alegramos ilusões
Nos ensaios das utopias
 
Voamos nos espaços
Sem naves espaciais
Nas rotas dos compassos
 
Mas de tudo ou de todos
Criando imaginações
Palpitando corações
 
Sem nos perceber, imperceptível...
Bolinhas de gude rolam sem saber por quê
No vasto buraco negro
No negro olhar, pirilampo...
 

domingo, 12 de junho de 2011

Zé bamba, sensivelmente...

 

 
      Um homem de poucas palavras e de um grande coração vigiava duas almas
dependentes do álcool, ignoradas, sofridas, maltratadas e mal-amadas pelos
pré-requisitos sociais.

“Eu vim para os doentes e não para os são...” O Mestre da Sensibilidade
dizia isso. Nós distorcemos, contradizemos... Podemos não dizer nada que os
ferem, mas ficamos de fora, indiferentemente; de fora... Será que somos tão são
que não necessitamos mais da cura? O fácil é o obvio... Temos ainda um longo
caminho que não se fecha aos 100 e nem com o fim precoce dessa lauda que
permanece em aberto...
Zé Bamba que poucos contemplam. Não há celeuma... Não há status ou alguém
que correspondesse o seu amor... Há sim um só instante que se repetia por vezes
ele vigiando as duas almas carentes nos botecos da vida... Ele acompanhava os
sofrimentos daquelas almas... Ele sofria também com tudo isso, pois o seu amor
as contemplava; carinhosamente...
Todavia muitos não bebem ou se julgam que não tem nenhum vício. Será que
os vícios são apenas esses subterfúgios? Eis a moral se moralizando... Moral
essa não dá moralidade, porém se reduz a uma só, tão somente hipocrisia;
disfarçada, mascarada e cheia de filosofia...

Nesse instante tudo fosse ao convencional, ao dito moderno ou
pós-modernidade diante da grandeza das tecnologias e do capitalismo
avassalador... Podemos dizer que isso também é uma caverna moderna virtualizada
e programada para uma sociedade futura... O que se diz futura!!! O que importa
tão somente é ter um olhar e ver, acalentando sensivelmente:

1 Um homem fora do tempo; vigiando aquelas duas almas... Eles se encontram em
nós, tão renegadas em últimos planos!!! 
Wesley Charles

sábado, 11 de junho de 2011

ARTE...


ARTE...
            Wesley Charles de Alencar Reis


Arte arde ardente em fantasia
No nosso quarto, sonhos alegorias.
Na galeria, quadros vibrantes...
No campo, tudo encanta, envolve-se...

Arte nasce sem pensar o nada
Que mexe e incomoda, inspira
Instante brilhante, orvalho...
Espaço vazio, que cria...

Arte grita no silêncio dos fracos
Muda e encanta, fere ou transfere...
Mata o som, melodia...
Engana, transcende...

Arte mente, inverte.
Espelho retorcido nos olhares
Perdidos encontros, repondo.
Aos teus louvores, supomos...

Arte encontro, partida
Paraiso, sonhos divididos.
Partilha um pedaço de pão.
Em tréguas, vadias intrépidas...

Arte ida reluz viagem...
Veículo, paz que conduz.
Perdão, graças em cruz.
Que de vias, guias...

Arte céu, mares naufragados.
Lua, devaneio e poesias...
Estrelas, multidão amanhecida.
Universo - Uno Criador...

Arte criança, mistura-se.
Cola-se esperança borboleta...
Cala-se - Cria Unicidade...
Adormece - Sino Divino...

Arte pobre, ponte abrigo.
Teto proteção, marginal...
Favelas - Truques e dramas...
Favelados - discriminados; aos caos...

Arte dor, ferida e morte...
Armas, ameaças entrelinhas.
Corrupções, governos, bandidos...
Congressos, Leis banidas...
Papeis nuanças em trajes...

Arte via, na BR do destino...
Templo guia de tecido.
Efêmero, muda sem endereço.

Arte errante, dúvida de moradia.
Dentro ou fora, perdiz...
Na convenção maldita..
Na certeza incerta...
Erra pra viver - morre...

Arte pura empurra, desfaz.
Não dura, encalha.
Não promete, atrapalha.
Perdura, não cria e cria...

Arte arde, corpo fremido
Perdido sozinho, delito amargo...
Paixão de tortura, prisão...
Liberdade, sepultura...

Arte arde, sofre no profundo.
Escravo Lázaro, Penhorinho...
Mestres poetas, imortais...
Sofrem, morrem, iluminam, transcendem...

Arte vida, movimento vicioso.
Gera ou não gera água mares...
Mulheres - Terras férteis...
Vaginam-se, doces criaturas...
Seus cantos, suas dores, suas alianças...
Unidas ou separadas, vivais...

Arte liga condutores...
Não espera - Insinua...
Envolve - fica GRÁVIDA...
VIDA...

Quem a inventou?!...

Arte, mulher no parto.
O homem no corredor...
A espera do parto...parto...
Gritos, gemidos incessantes.
Berros, choros, lágrimas sagradas...

Arte Deus...
Imagem e semelhança - Destruição...
Arte enfim...
                  Deus...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dinino, gesto nalma pequena...


Dinino, gesto nalma pequena...
Wesley Charles de Alencar Reis
 
      Essa história é verdadeira como todo encontro de fada ou apenas um menino 
que se encanta tão com o dedo polegar, sentado na frente da porta da casa, 
tomando sol...
      Quando alguém passa perto dele com um simples sinal, Dinino se faz num 
singelo polegar com um riso maroto, sem nenhuma fala...
      O mundo não o vê, todavia ele o vê com apenas o olhar sem tecer nenhuma 
definição estética com a voz da paisagem que o envolve... Só o olhar diz tudo, 
entretanto o silêncio é mudo e o encantamento, profundo...
      A nossa linguagem diante dele se emudecia caso atenção lhe fosse dada, se 
abrindo pra ele, reconhecendo naquela alma uma sensibilidade reveladora que se 
comunica de um modo tão diferente, no entanto, banalizado...
       Todavia Dinino proporcionava as diferenças às sutilezas na reverência do 
dedo POLEGAR e um leve sorriso angelical na correspondência do gesto, 
repetindo-o quantas vezes fossem necessários, incansavelmente...
      Essa é uma história verdadeira que renegamos, pois não temos tempo para 
passar ali. Quando percorremos por ele, de lado ou um pouco distante; dirigimos 
os nossos dedos polegares, dando um sinal e ele retornando o agrado com o dedo 
menor positivando, encantado num sorriso extrovertido...
      Todavia se alguém parasse perto dele, tocando em seu dedo POLEGAR, sua 
alma se abria e se divertia, momentaneamente... Apertos de mãos, de modos 
diferentes, assistidos pelos olhares ímpares e pares, tornavam-se grandes lições 
que dispensavam as vozes, os diálogos costumeiros ensaiados pelos especialistas 
e os chamados cientistas...
      Dinino é o POLEGAR de um homem que fala não apenas com o sinal do dedo 
pequeno que ensina tanto, mas que todos os seus gestos e olhares se abrem para 
os ares da vida em plenitude, emoção e encanto...
      Tudo do Dinino grita no silêncio sem a dimensão da voz, mas com a 
imensidão do POLEGAR dialogando, divinamente com os anjos e com DEUS...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

LOUCOS ADORADOS

domingo, 5 de junho de 2011

AQUI


Aqui
Nesta praça o silêncio paira
Os bancos sentem as ausências
Dos nossos sentimentos
Das nossas alegrias e tristezas
Dos sorrisos e dos choros
Dos normais e dos loucos
Das lágrimas que secaram
Aqui
O silêncio paira
As formas de concretos vibram
As mãos dos pedreiros acariciam
Os projetistas vislumbram
Os paisagistas inflorestam
Aqui...
Nesta praça o silêncio paira
O jardim de Getsemen
As flores sensíveis das eras
O chafariz
E os índios selvagens
E os índios
De todos nós civilizados...
Aqui... 
Paira o silêncio
O pau Brasil e o piratarismo
O ouro de Portugal colônia
O patrimônio do céu...
O Dr. Dácio,
Um dia de sol
O outro da chuva 
Aqui... 
Nesta praça o silêncio paira
A historia da humanidade
A paixão de Cristo
O mendigo da Ciência
O maluco da Religião
Aqui...
Paira nesta praça o silêncio
O eco ecoado no vento
A voz na moldura do tempo
O grito por misericórdia sem fim
O perdão batendo na porta
Aqui...
Paira o silêncio
Um de nós sentado no banco
Na fisionomia de Xisto
Na ladainha de Madalena
Na poesia de Cocota
Na canção de Dimicriff
Na viola de Diolino
Aqui...
O silêncio paira
Um de nós sentado no banco
No voo de Bacurau
No sonho da menina Amélia
Nos perfumes sem as flores
Na sensação de Deus
Suave respiração divina
Frutos e sementes
Aqui...
Nesta praça o silêncio paira
A liberdade do choro preso
O abandono do eu agora
O entregar sempre para Deus
A nossa pequenez senhora
Aqui...
Paira nesta praça o silêncio
O palhaço pintando o sol
A criança arco íris
O ancião infantil brincando
Aqui...
O silêncio paira
A reflexão dalma água
A paciência na persistência
A luta constante
O espinho da glória
Aqui
Paira o silêncio
O desabafo
O choro momentâneo
O abraço desprendido
Aqui
O silêncio paira
O sonho tido e relido
No real de cienciar
Na claridade da crença
No entregar do parto
No parto das luzes...
Aqui...
Nesta praça o silêncio paira
A fé acesa ou apagada
A esperança do ontem
No instante do pai...
Aqui...
O silêncio paira
Na escrita sagrada
No espelho olhado
Na paisagem dimensionada
Aqui
A graça abençoada
A glória do sofrimento
As lágrimas saudosas
Aqui
Nesta praça o silêncio paira
A fé da esperança
O amor cantado, cantarolado.
Semelhado ao lado
Perdido na procura
Aqui
Nesta praça o silêncio paira
Os loucos sonham indiferentes...
Mudam...
Aqui
Nesta praça o silêncio paira
Os espinhos se transformam
Em flores
Em rosas celestes
 
Wesley Charles 

sábado, 4 de junho de 2011

Três cestas e um velho homem...

Três cestas e um velho homem...
Wesley Charles de Alencar Reis
Havia três cestas, uma do lado da outra que ficava apenas num lugar... A
do lado direito guardava os erros... A do esquerdo, as qualidades... Todavia a
que ficava entre as duas, a do meio, permanecia vazia...
Certo homem, um velho andarilho calejado pelas longas lutas traçadas nos
percursos das existências, era o guardião das cestas. A sua história não foi
fácil assim como a lauda da humanidade e a missão pegada no caminho de cada alma
vivente...
De pequeno, como todo menininho, gostava do faz-de-conta, de bolinha de
gude, de futebol... Pintava a sua imaginação de infinitas poesias, brincando;
brincando... Desenhava e se desenhava imaginando que todo seu sonho ia tornar-se
realidade no engenho da simplicidade...
Entretanto cresceu... Agora é um adolescente cheio de hormônio, sonhos e
idealizações... Jovem bonito, atraente e conquistador. Aproveitou bem essa fase
de brinde. Ele teve várias namoradas, mas com nenhuma se casou... Era farrista,
boêmio... Levava a vida extrovertidamente...
Já adulto, conquistou do bom e do melhor, fez fortuna; enriqueceu-se...
Tornou-se poderoso. Todavia o ser adulto não chegou com o empilhamento de grana,
aquela criança foi esquecida no canto; bem lá no canto! O adolescente permanece
ao seu modo...
Velho, cansado, resignado, começa a refletir...
Quando criança foi tudo bem, idade de ouro e de pura inocência; sem nada
de maldade para guardar e tudo de dádiva para brincar! Não precisou olhar as
cestas, até parecia que elas nem existiam...
Quando adolescente, olhou mais para a cesta das qualidades, desviando o
olhar da cesta dos erros. A do meio nem se quer observava, pois não tinha nada,
não refletia nada...
Todavia agora velho, diante de um grande dilema, o homem sente que cometeu
uma imensa falha... Ele sempre observava a cesta das qualidades, negando, a
cesta dos erros e ignorando a do meio.
Então ele percebeu que uma dependia da outra para a plenitude da reflexão,
dando sentido à vida. Entretanto o velho homem estava bem fraco, num estado
terminal, vendo que tudo que viveu era uma enganadora ilusão. Neste instante ele
viu que no fundo da cesta do meio havia uma criança adormecida, sonhando um
sonho lindo com um sorriso estampado no rosto...
O velho homem viveu mais um dia, sem mulher, sem filho; todavia naquele
  1. instante tudo fazia sentido...