Wesley CharlesDU – VIDAS Era uma vez... Parece um encontro de fadas. Neste momento estava no quarto ou no quintal com os meus livros na estante ou flutuando. Com as asas da borboleta. Com os grilos nas folhas secas. Com o colibri que sentimentaliza o ósculo na minha face menina (flores sensíveis). As coisas andam congestionadas aqui. Não resolvi a equação decimal de Deus, onde persistem as dúvidas... Na primeira lauda avistei uma pequena cidadela, modesta e simples, com número reduzido de gente, com as casas feitas de sonhos e fantasias, flutuantes. Tudo era diferente dos nossos olhos e das nossas indiferenças. Era uma cidadela. Neste instante, passo por uma porta, fecho a outra e me pego num enorme túnel com meia luz. A paisagem se reduz, deduz um estranho, mediante o olhar negro, vasto. Dou por mim na cidadela. Meu corpo, minha emoção pertencia à paisagem. Tudo e todos os sentimentos ligados. Ora!... Senti um mistério no ar. Algo deste que incomoda muita gente. A novidade era o vendedor de frutas naquele lugar diferente... A curiosidade aumenta, a fofoca torna-se notícia. Ninguém sabia daquele sujeito e nem do modo diferente de vender frutas. A tarde chegou num relâmpago, quando alguém se aproximou dele e comprou uma fruta. Comeu-a. Deliciou-se. Entrou naquela tenda e saiu... Depois disso, mais nada. No dia seguinte, logo pela manhã, ali passou mais um. À tarde, outro. À noite, fechou-se o expediente. Comeram-nas... Deliciaram-se... Entraram na cabana... Saíram... Deste modo, cada dia aquilo acontecia, até que quase todo mundo ali já tinha passado. Comeu-a... Deliciou-se... Entrou na cabana e saiu... Reparei tudo aquilo e mesmo assim não via nada de diferente. Uma voz batia lá no fundo. Comeu-a... Deliciou-se... Entrou na tenda... Saiu... Ainda não tinha passado ali. Cada vez mais a coisa era sem sabor. Era um ponto final inexplicável. Uma reticência colocada no caminho... Hoje li algo de diferente. Estava com meus olhos vendados. Ressenti-me ao tocar na duplicidade da vida. Faltava-me algo. Bebi um copo de água transparente. Naufraguei-me no oceano das lágrimas, em meu âmago feminino... Ali estava o vendedor. Apenas uma fruta no cesto e a cabana no mesmo lugar. Creio que aquela fruta era para mim, mas algo dizia que era para ele. Estou naquela casa pacata, com insônia. Era a casa que não conseguia pegar no sono. Resolvi sair um pouco. Passei por alguns lugares. Uma força me puxa para aquele local, onde se encontrava o vendedor, o cesto com apenas uma fruta e com a cabana armada. Aproximei-me dele. Admirei-o... Antes de qualquer fala, ele pegou a fruta e me ofereceu, sensivelmente, sem voz... A atmosfera encheu-se de gestos divinos. Aceitei a oferta e o agrado. Logo em seguida: comi-a, deliciei-me, entrei na cabana e sai... O interessante foi... Quando estava ali, faltava um segundo para a meia noite. Bem lá nos confins do meu íntimo, um ser me fazia sentir que aquela era minha hora. Pude entender. A essência fluía naturalmente e uma voz se instalou em nosso silêncio. Pelo menos alguns segundos, alguns minutos, algumas horas alguém foi feliz, amou de verdade... A felicidade se fez apenas num único corpo, numa única emoção e se fez morada para esta paisagem. Era uma vez... Era um vendedor de frutas... Era um cesto... Era uma fruta... Era uma cabana...
Toda filosofia é poesia vinda da alma, além da razão na busca única do Amor Maior
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sábado, 18 de junho de 2011
DU – VIDAS
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