Toda filosofia é poesia vinda da alma, além da razão na busca única do Amor Maior

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O AMOR CONCRETO


O AMOR CONCRETO
                                                                                
Wesley Charles de Alencar Reis
 
      Um dia um mestre parou num lugar onde se podia ver toda a humanidade na 
coleção sublime de sua plenitude. Então, olhou-se para si e perguntou ao 
discípulo que se internalizava dentro dele:
     _ O que é o Amor?
     _ O Amor não precisa de resposta, de nenhuma explicação!... Ele precisa só 
do OLHAR; não do olhar que se olhar, mas do OLHAR DA PRÁTICA... 

     _ Não é o OLHAR DA MENTE, mestre?
     _ Todo corpo precisa da prática... Como pintar o QUADRO DA VIDA sem nenhuma 
composição? Assim a mente é um lugar abstrato bem pequeno que se ocupa de toda 
imensidão... Todavia sem prática oscilante, sem reflexão; ela se enche de vazio, 
desapropriando-se de si mesma...
      Então o discípulo, insaciável e cheio de dúvida, lança uma pergunta 
felina:
     _ Quem inventou o Amor?
     _ O Amor não é uma invenção... O Amor é Deus... Ele enviou o Filho como 
dádiva e símbolo do Amor... O Filho está no Pai... O pai está no Filho... És a 
grande revelação do Amor!...
     _ Mas mestre, se Deus é Amor, como Ele se fez?
     _ O nosso Pai se fez do nada e do tudo... Ele é o invento Dele mesmo... Ele 
é a Prática do Amor... Há resposta que cabe só a Ele... Todavia ele deu o homem 
a sua própria Semelhança...
      O mestre olhou fixamente para o discípulo e falou:
     _ Olhe para tudo isso aqui... Depois feche os olhos e procura esquecer de 
tudo. Vou te fazer uma única pergunta e desejo uma resposta sincera:
     _ Você esqueceu de tudo realmente?
     _ Não, não esqueci... Não consigo apagar da mente!...
     _ Tudo isso é o Amor... O Amor dorme... O Amor adormece... O Amor renova... 
O Amor sempre permanece... O Autor morre e o Amor transcende...
      O discípulo então questionou veemente:
     _ De onde provem todo esse conhecimento?
     _ Da Universidade de Deus. Ela traz um único conhecimento...
     _ O conhecimento do Amor!... Exclamou emocionado o discípulo.
     _ Não, claro discípulo... É o conhecimento da Sensibilidade que não se 
aprende nas universidades dos homens... Talvez possa ser por isso que o Filho de 
Deus foi tão e é renegado pelos homens da ciência...
     _ Mas mestre, e o Amor?
     _ O Amor é o Reconhecimento da Sensibilidade... É o Autorreconhecimento do 
Reconhecimento da Sensibilidade... Sem Ele, as outras essências se perdem em 
sentido e significado...
      O mestre então interrompeu o discípulo e falou:
     _ Vamos olhar tudo isso aqui e você vai ver o Amor se concretizando em cada 
reflexão contemplada pela totalidade dessa paisagem que não esconde nada, que 
não renega nada... Apenas nós renegamos o essencial que já se encontra em nós...
      Então o mestre acalmou o discípulo inquieto no interior de si mesmo e foi 
passando nos lugares onde as fontes de sensibilidade eram intensas, aprendendo 
com os pequenos, com os abandonos, as desventuras, as rebeldias dos transeuntes 
enamorados...  
 
      O AMOR É CONCRETO: só não vê que não quer ver... Só não sente quem não 
quer sentir... Todavia não é algo inacabado, mas uma Construção Infinita na rede 
da Sensibilidade Amiga...
 

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