Toda filosofia é poesia vinda da alma, além da razão na busca única do Amor Maior

terça-feira, 21 de junho de 2011

O SONHO DA VELHA ÁRVORE...



O SONHO DA VELHA ÁRVORE...
Wesley Charles de Alencar Reis
 
      O machado foi aposentado... Na mão e no punho do lenhador está sustentada 
uma serra elétrica... O ar de ganhar mais espalha para todos os cantos. Para as 
fábricas... Para as serrarias... Para as lojas... Para as construções... Para as 
carvoeiras... Para as chamas inteiras... Para as...
      Todavia algo de estranho ocorria naquele momento... O ato do corte da 
serra elétrica causava ressentimento em cada árvore cortada. Pelo corte 
promovido pelo aço elétrico escorria um líquido da cor do sangue humano. As 
árvores gemiam de dores, gritavam, choravam incessantemente... Mas o lenhador 
não percebia nada daquilo... Não via o rio de tristeza que se escorria naquele 
instante...
      Um dia ele avistou uma velha árvore próxima do seu olhar. Então começou a 
andar em direção dela. Entretanto nada de aproximar. Ele ficou assustado com 
aquilo, pois estava perto, andando em direção; porém não conseguia achegar...
      No entanto, depois de algumas horas, a serra elétrica se põe a cantar 
ruidosamente e o lenhador, apreensivo, percebe o falar da velha árvore:
     _ Meu jovem lenhador, aumente mais a distância da humanidade daqui!... Eu 
não me importo como se importaram, sofreram, gemeram, gritaram e choraram as 
minhas jovens amigas árvores!... 

     _ Mas eu não vi nada disso!... Exclamou o lenhador admirado e assustado ao 
mesmo tempo.
      De repente o homem, não tão jovem assim, percebe que aquilo era um sonho 
tirado debaixo da copa de uma árvore. Ele sente confuso, pois pressente uma 
velha árvore deitada no chão... Começa a chorar vendo infinidades de árvores 
repousando naquele imenso solo e parecia que as florestas iam-se sumindo pelas 
percepções do teu olhar, vagando-se na paisagem despida...
      Em casa ele observe o lindo desenho da sua menina. Cada desenho 
simbolizava a magia de uma iluminada árvore pelo sol ofuscante... Ele então 
exclamou:
     _ Que lindo, minha filha! Como você aprendeu desenhar tão bem assim?
     _ Foi com o senhor, papai! Você lembra que eu ficava observando o senhor 
derrubando as árvores?
     _ Sim, minha amada filha!
     _ Pois é!... Naquele momento eu ficava tentando colocá-las de pé.
      O homem então chorou novamente. Sua filha o consolou e lhe deu um belo 
desenho que se pintava de mudinhas e sementes de árvores. Só então ele entendeu 
os ensinamentos da velha árvore e a dádiva que nem sempre vem de mãos prováveis, 
mas singelamente de uma tão pequenininha...

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